Famílias

Foram várias as famlías de Obwalden que emigraram para o Brasil no século XIX, algumas tiveram sucesso, outras não. A primeira emigração de Obwalden para o Brasil que se tem notícia foi em 1854. “A viagem foi feita de barco a vela e durou 62 dias de Hamburgo (Alemanha) até Santos. Já em alto-mar morreram 35 pessoas, a maioria crianças. No assentamento se seguiram mais 24 óbitos em curto espaco de tempo. A duração total da viagem, de Obwalden até o local de trabalho, com todas as paradas em Hamburgo e Santos e com os 20 dias de viagem por terra, da pátria até o porto de embarque foi de quatro meses, de acordo com documentos remanescentes da Família Von Zuben.“ (WEIZINGER, Dr. Franz Xaver. Die Kolonie Helvetia in Brasilien. Traducao: KRÄHENBÜHL e MING, Maria Alvina e Lydia.) Das 26 famílias que vieram em 1854, apenas 8 avancaram. Foram elas: Von Zuben, Sigrist, Wolf, Burch, Jakober, Britischgi, Fanger e Infanger.

Dessas famílias que obtiveram sucesso no Brasil, depois de muito esforço obviamente, a viúva Ana Maria von Zuben, o casal Francisco e Ana Sigrist com dois filhos, aos quais haviam se associado com três Britschgi, resolveram voltar para a Suíca em 1880. Foi grande a surpresa da população de Obwalden quando alguns de seus conterrâneos voltaram depois de 26 anos, especialmente depois de toda a anti-propaganda feita por Thomas Davatz que escreveu uma obra comparando o trabalho que os imigrantes suíços tiveram no Brasil com o trabalho escravo. A obra de Thomas Davatz foi traduzida pelo grande historiador brasileiro Sérgio Buarque de Holanda com o título de “Memórias de um Colono no Brasil“. O papel de Ana Maria von Zuben, que deixara seus filhos e netos no Brasil para voltar à terra natal, foi de extrema importância para o novo surto de imigração que surgiu a partir de 1880. Com o carisma com que contava todas as histórias da vida no Brasil, terra de árduo trabalho pouco remunerado mas também de muita fartura de alimento, aliada ao fato de ter convencido seu irmão, o padre Nicolau Amstalden (Kaplan), a ser o guia espiritual em língua alemã dos novos emigrantes, atraiu muitas famílias para a emigração.

Em maio de 1881 um grupo de 55 pessoas (entre elas a viúva von Zuben e seu irmão, o padre Nicolau Amstalden) se despediram de Obwalden depois de uma última missa na Igreja matriz de Sarnen rumo ao Brasil. Aconteceram alguns imprevistos na primeira viagem, mas com a habilidade de Ana Maria que falava já o português, todos chegaram bem ao Sítio Grande, no interior do estado de São Paulo. Com a notícia de que a viagem fora bem sucedida, mais famílias resolveram se aventurar no outro lado do oceano. De 1881 a 1887 quase 300 pessoas deixaram Obwalden rumo ao interior do estado de São Paulo. Uma pesquisa realizada em 1988 para as comemorações dos 100 anos da Colônia Helvétia, relatava que desses suiços de Obwalden, teríamos, na época, mais de 8 mil descendentes, o que é um número bastante expressivo se levarmos em conta que a população do cantão de Obwalden é hoje um pouco mais de 30 mil habitantes. Vale destacar também que a maioria das famílias vieram de Giswil e de Sarnen, capital de Obwalden.

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